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Mikhail
Botvinnik (1911-1995)

Botvinnik foi o pioneiro da dominação russa do xadrez
mundial, que, excetuando-se o breve reinado de Bobby Fischer, vem
durando a maior parte do século XX. Mas, o que é mais
importante para o enxadrista comum, foi o primeiro a tratar o xadrez
como uma ciência e um esporte e a formular um programa de
treinamento sistematizado para competição.
Esta atitude séria perante o xadrez contrastava com a de
Steinitz, fiel às suas aberturas inconsistentes mesmo depois
de derrotas, com as de Lasker e Capablanca, que raramente se preparavam
para os torneios, e até com a de Alekhine, cuja preocupação
meticulosa com os adversários não incluía os
cuidados com a própria condição física.
O papel do xadrez na sociedade soviética tornou a atitude
de Botvinnik proveitosa não só para ele - campeão
mundial em potencial - como para outros. Lênin era um aficionado
do xadrez, assim como Krilenko, um de seus tenentes. Sob sua influência,
o xadrez tornou-se um esporte russo oficialmente reconhecido e os
mestres puderam, então, receber um salário do Estado.
Botvinnik aprendeu a jogar aos doze anos - um pouco tarde para um
campeão mundial. Mas, aos catorze, derrotou Capablanca numa
exibição simultânea e, em 1927, participou pela
primeira vez do Campeonato Soviético. Graduou-se em Leningrado
como engenheiro eletrônico, e manteve seu trabalho científico
mesmo depois de conquistar o título mundial.
Seu grande sucesso começou em meados da década de
30, quando venceu dois eventos importantes em Moscou e empatou em
primeiro lugar com Capablanca, à frente de Alekhine, Lasker
e outros poderosos adversários, no torneio de Nottingham.
Um de seus primeiros atos, após esse triunfo, foi assinar
um telegrama, escrito na realidade por Krilenko, agradecendo a Stálin
e à nação soviética pelo seu apoio.
Nos anos seguintes, tornou-se um dos objetivos principais da organização
russa de xadrez assegurar uma chance de disputa pelo título
mundial para Botvinnik. Quando Alekhine faleceu, deixando o título
vago, a Federação Mundial de Xadrez promoveu um torneio
decisivo do qual Botvinnik saiu vitorioso com boa distância
de Smyslov, Keres, Reshevsky e Euwe.
Botvinnik atingiu o ápice no período anterior à
sua conquista do título mundial, durante a limitada atividade
do xadrez na guerra e depois. Embora tenha permanecido campeão
com alguns intervalos, de 1948 a 1963, perdeu matches mundiais para
Smyslov e Tal antes de recuperar o título e apenas empatou
em seu match de 1951 contra Bronstein. Depois de sua derrota de
1963 para Petrossian, e com a cláusula do match de desforra
abolida, abandonou a competição pelo título
e transferiu seus interesses de enxadrista para dois projetos a
longo prazo: formular uma programação de xadrez para
computadores e ensinar um futuro campeão mundial soviético.
Até agora, o primeiro projeto teve uma evolução
apenas limitada, mas o segundo conseguiu um sucesso brilhante. Tanto
Karpov, quanto Kasparov, são alunos de Botvinnik.
A grande força de Botvinnik como enxadrista foi seu comando
estratégico, mas não se trata da estratégia
de Capablanca, límpida e orientada para o final. Ele gostava
de posições complexas, com boas chances para ambos
os lados, baseado em sua habilidade de manobra, aliada à
percepção do momento de simplificar para o final.
Botvinnik era especialista na defesa Francesa (1. e4 e6) e, mais
tarde, na Caro Kann (1. e4 c6) com as pretas, e em aberturas do
flanco da dama como a Nimzo Índia (1. d4 Cf6 2. c4 e6 3.
Cc3 Bb4) e a defesa Eslava com troca (1. d4 d5 2. c4 c6 3. cxd5)
com as brancas. Duas idéias freqüentes em suas partidas
são o sacrifício de uma torre por um bispo ou cavalo,
para criar um centro de peões móvel, e a utilização
efetiva do bispo a longa distância na fase final do meio-jogo,
depois da troca de várias peças. Esta última
idéia pode ser de grande eficácia para o enxadrista
comum.
Biógrafo:
Desconhecido
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