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William
Steinitz (1834-1900)

Primeiro
campeão oficial do mundo, Steinitz era um estrategista e
inovador cuja profunda visão tática e defensiva e
habilidade em acumular pequenas vantagens posicionais têm
o mesmo valor das contribuições de Morphy ao jogo
aberto. Morphy era um jogador instintivo que ensinava por exemplos
e não por escritos, ao passo que Steinitz desenvolveu suas
idéias gradativamente ao longo dos anos, após um falso
começo onde tentou fazer nome com gambitos tradicionais.
Para os padrões de um campeonato mundial, seu jogo não
estava livre de fraquezas e ele perdeu muitas partidas devido à
sua teimosa lealdade a linhas inferiores, apesar das derrotas anteriores.
Steinitz
expôs suas teorias em sua coluna sobre xadrez no periódico
The Field e em seu livro Modern Chess Instructor. Seu enfoque básico
era de que as vitórias rápidas contra defesas fracas,
como as ocorridas em muitas das partidas de Morphy e Anderssen,
não seriam possíveis se o adversário resistisse
com lances simples, colocando rapidamente suas peças em ação
e recusando os sacrifícios de peões irrelevantes.
Steinitz demonstrou que contra um jogo sólido seria incorreto
buscar ataques rápidos; ao invés disso, é melhor
armar o jogo calmamente, procurando pequenas vantagens, como a de
um bispo contra um cavalo, combater peões dobrados ou isolados,
casas avançadas, colunas abertas, uma maioria de peões
no flanco da dama, e procurar um maior controle do espaço.
Sua
teoria defensiva era obstinada: ele achava que, se o defensor evitasse
fraquezas estruturais, seu jogo permaneceria sólido. Assim,
em várias de suas partidas conhecidas, Steinitz recuou suas
forças para as filas traseiras somente com o objetivo de
evitar o enfraquecimento dos peões.
Outra
de suas idéias polêmicas era a de que "o rei é
uma peça de combate", mesmo no meio-jogo. A partir disso,
desenvolveu o gambito de Steinitz 1. e4 e5 2. Cc3 Cc6 3. f4 exf4
4. d4?! Dh4+ 5. Re2, que parte da premissa de que, tentando dar
o mate ao centralizado rei branco, as pretas sobrecarregariam suas
próprias forças, que só poderiam, então,
ser recuadas com perda de tempo; por exemplo, o cavalo branco de
g1 salta para f3, ganhando tempo com o ataque à dama preta.
As
gerações posteriores receberam essas idéias
mais polêmicas de Steinitz com reações variadas.
Sua defesa favorita contra o gambito de Evans trouxe-lhe grandes
derrotas contra Tchigorin, um de seus rivais; mas sua linha de jogo
para as brancas contra a defesa dos Dois Cavalos 1. e4 e5 2. Cf3
Cc6 3. Bc4 Cf6 4. Cg5 d5 5. exd5 Ca5 6. Bb5+ c6 7. dxc6 bxc6 8.
Be2 h6 9. Ch3 (ao invés de 9. Cf3, que permite ganhar tempo
com 9. ... e4) foi adotada, com sucesso, por Bobby Fischer e é
hoje preferida a 9. Cf3 por vários grandes mestres.
Steinitz
percebeu a importância dos cavalos avançados: escreveu
que, se conseguisse colocar um cavalo em d6 ou e6, poderia ir dormir
e deixar as peças ganharem o jogo por conta própria.
Ensinou também como tirar partido de uma posição
onde o adversário se encontra prejudicado por um bispo mau,
imobilizado pelos próprios peões.
Lasker,
o sucessor de Steinitz no título mundial, disse depois de
derrotá-lo que "o pensador tinha sido vencido pelo jogador"
e isso levou à crença de que Steinitz só se
projetou por causa de suas teorias avançadas e tinha pouco
conhecimento do xadrez psicológico.
Os
resultados, porém, não sustentam tal hipótese.
Exceto quando Steinitz estava preocupado em defender suas variantes
favoritas, conseguia ser um observador agudo do estado mental de
seu adversário e acomodava seu jogo conforme a situação.
Assim, antes de começar sua decisão contra Blackburne,
em Viena, 1873, ele percebeu que o grande mestre inglês, que
adotara um estilo selvagem e extravagante na derrota decisiva que
infligira a Rosenthal, estava com o moral baixo para o confronto.
Steinitz, portanto, seguiu uma estratégia ardilosa em ziguezague
e foi recompensado com as respostas pobres de Blackburne nas duas
partidas.
Em
seu primeiro match oficial pelo campeonato mundial, Steinitz-Zukertort,
1886, Steinitz começou mal e logo perdia de 4 a 1. Mas conservou
a calma e as chances de conquistar o título com uma mistura
de xadrez defensivo e estratégico que provocou Zukertort,
com seu temperamento instável, a uma sucessão de ataques
insensatos e debilitadores. Steinitz, no fim, venceu pela contagem
de 12,5 a 7,5. A partida psicologicamente decisiva foi a sétima,
em que Zukertort sucumbiu a uma sutil luta posicional.
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