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Anatoly
Karpov (1951)

Karpov,
o ex-campeão mundial da FIDE, é um enxadrista cuja
carreira passou do aprendizado dos lances à conquista do
título mundial sem praticamente, nenhum passo em falso.
Karpov
aprendeu xadrez aos quatro anos e, apesar de viver longe dos principais
centros soviéticos - na pequena cidade de Zlatoust, nos Urais,
teve um progresso rápido. Aos onze, era candidato a mestre
e recebeu a tutela especial de Botvinnik. Sua primeira vitória
internacional em torneios adultos ocorreu acidentalmente aos quinze
anos: os russos pensaram que o convite para jogar na Tchecoslováquia
era para um torneio infanto-juvenil. A partir daí, Karpov
venceu o Campeonato Mundial de Juniores, conquistou o título
de grande-mestre e um lugar na série de 1972-75 para decidir
o desafiante de Fischer. Teve sucesso em sua primeira tentativa,
derrotando Spásski e Kortchnoi e conquistando o título
quando Fischer se recusou a jogar.
O
recorde sustentado por Karpov de primeiros lugares em torneios,
como campeão mundial, ultrapassa o de seus antecessores.
Seu estilo lembra Capablanca mas de uma forma mais sutil que o de
Fischer. Ao contrário do americano, não sai totalmente
para o ataque em todas as partidas e, com as pretas, às vezes
aceita empates no início do jogo. Mas, com a exceção
das etapas finais de seu match contra Kortchnoi, em 1978, quando
o cansaço influiu em seu jogo, Karpov tem sido o grande-mestre
mais difícil de derrotar. É raro para ele perder mais
de uma partida em qualquer evento.
Seu
grande rival, Viktor Kortchnoi, descreveu-o como um peixe frio computadorizado
e, para os estranhos, ele costuma parecer aéreo e desligado.
De pequena constituição, parece ser frágil
demais para as pressões do xadrez internacional, mas seus
resultados provam o contrário. Como campeão, já
derrotou os melhores jogadores de todo o mundo e pode ser certamente
colocado ao nível dos principais mestres do jogo - Lasker,
Capablanca, Alekhine, Botvinnik e Fischer.
Em
sua vida pessoal, Karpov é bastante reservado. Coleciona
selos e escreveu uma tese sobre Os problemas das atividades de lazer
para a Universidade de Leningrado. Casou-se no verão de 1979
com uma atraente secretária (apesar de o xadrez ter uma reputação
de atividade essencialmente solitária, todos os campeões
mundiais, com exceção de Fischer, eram ou se tornaram
homens casados). Na ex-URSS, Karpov é um herói nacional
e, em 1978, após sua vitória contra Kortchnoi, encabeçou
a eleição para Esportista Soviético do Ano.
Foi condecorado pessoalmente pelo Presidente Brejnev.
O
que o xadrez de Karpov pode ensinar ao jogador comum? Primeiro,
sua habilidade em jogar a Ruy López. Assim como Capablanca
e Fischer, para quem esta abertura também era uma das preferidas,
Karpov conhece suas sutilezas e nela se fundamenta para marcar uma
alta percentagem de pontos com as peças brancas. Vale a pena,
no xadrez, ter um repertório de variantes de abertura que
você conheça a fundo e que possam ocorrer freqüentemente.
O enfoque de Karpov com a Ruy López envolve aqui o que tem
sido chamado de sua "técnica da aranha". Ele busca
o controle espacial no flanco da dama e concentra a atividade das
peças no flanco do rei, gradualmente privando o adversário
de casas úteis, imobilizando as peças inimigas em
posições rígidas e, então, atravessando
a defesa adversária em um dos dois flancos. Muitas vezes,
como resultado, a teia de peões de Karpov controla todo o
tabuleiro.
O
segundo trunfo de Karpov a ser assimilado é sua segurança
no final. Na entrevista dada em Londres, em 1972, enxadristas de
clube perguntaram: "O que você aconselharia para aperfeiçoarmos
nosso jogo? Estudamos bastante as aberturas e também jogamos
bastante". "Mas não estudam os finais?", perguntou
Karpov. "Façam o contrário - estudem os finais!"
Assim
como seu antecessor Fischer, Karpov é um perito na manipulação
do final de torre e bispo contra torre e cavalo. Mas não
pode ser considerado um dogmático e transfere o jogo, com
igual facilidade, para cavalo contra bispo, quando isso se torna
mais apropriado. Em Montreal, 1979, Karpov dividiu o primeiro lugar
com Tal num dos torneios mais importantes promovidos até
hoje, com prêmios no valor de 50 000 libras, sendo 12 500
para o vencedor. Neste evento, Karpov jogou uma partida onde demonstrou,
primeiramente, a superioridade do bispo contra o cavalo e, em seguida,
a vantagem do cavalo sobre o bispo.
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