Capacidades desenvolvidas pelo xadrez
“Depois de anos pesquisando o desenvolvimento da concentração em crianças e adolescentes, podemos afirmar que o progresso mais acentuado coincide com o começo da prática do xadrez, o qual influi, sem dúvida, na mentalidade deles.”
No mês de agosto de 1988, em Timissoara (Romênia), foi realizado o Seminário Escolar de Xadrez da FIDE, onde Constantino Paizis proferiu uma palestra: "Sobre a Influência do Xadrez na Formação da Personalidade das Crianças em Idade Escolar". A palestra apontou dois problemas básicos que enfrentam o instrutor de xadrez: controlar o espírito de competição dos jovens jogadores e superar a desinformação dos pais quanto aos aspectos educacionais do jogo.
A criança que acaba de aprender as regras e começa a jogar está em uma trilha de delicado equilíbrio. Inicialmente, ela passa por um modo egocêntrico, elaborando planos e combinações que poderiam ser realizadas se seu oponente não fizesse lances. Aos poucos, vai percebendo que o lado oposto procura obstruir a realização de seus planos. Ela começa a temê-lo, mas não muda de atitude — continua a jogar do mesmo modo egocêntrico, simplesmente desejando que o adversário não seja capaz de penetrar em seus planos.
Atinge-se assim um ponto crítico e delicado: o espírito de competição se desenvolve. Como evoluir? Aqui a interferência do professor é necessária para controlar essa força, pois se for deixada sozinha poderá ter consequências perigosas — concentração excessiva em uma atividade limitada, negligenciando a evolução homogênea da personalidade, ou grandes desapontamentos que vão deixar marcas profundas no caráter.
Por isso o professor tem de entrar em ação e motivar o jovem a jogar xadrez por amor, mais do que para vencer a qualquer custo. Deve mostrar aos alunos a riqueza das variantes e linhas de abertura, a criatividade do meio-jogo e a lógica do final. Em poucas palavras: fixar nos aprendizes a beleza do xadrez, ao invés de valorizar a efêmera glória da vitória.
Usando as palavras de Tigran Petrossian, Grande Mestre Internacional e Campeão do Mundo de 1963 a 1969: "Uma tendência notável no xadrez moderno é a predominância do elemento esportivo sobre o criativo. O fato de hoje em dia o resultado ser mais importante que o conteúdo é nossa infelicidade — uma infelicidade que o público indiscriminadamente aplaude."
Lasker, em seu manual, escreveu: "A estrada para esta educação exige bons professores de xadrez que, ao mesmo tempo, sejam ótimos educadores." Palavras de sabedoria de um homem que cuida não apenas de criar um poderoso jogador, mas também um bom cidadão de uma sociedade melhor.