Apresentação
“Os hindus explicam pelas casas do tabuleiro a passagem do tempo e das idades, as grandes influências que regem o mundo e os vínculos que unem o xadrez com as almas humanas.”
Há aproximadamente dois mil anos, em algum país do Oriente, surgia o chaturanga, que se transformou no atual jogo de xadrez.
Através de inúmeras guerras e novas rotas comerciais, o xadrez foi introduzido em muitos países do Ocidente, passando por novas metamorfoses.
A característica principal do xadrez praticado nessa época era a profunda elitização que sofria, sendo chamado de "jogo dos reis e rei dos jogos".
Uma mudança importante se dá quando, no século XV, Gutenberg cria o tipo móvel, possibilitando a impressão de livros de xadrez ainda no século XV, como é o caso do "Arte breve y introduccion muy necessaria para saber jugar el Axedrez", do espanhol Lucena, publicado em 1497. A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro possui um dos dois únicos exemplares deste livro existentes no mundo. Com a proliferação dos livros de xadrez, ocorre a primeira democratização significativa do jogo.
A segunda democratização do jogo de xadrez ocorre na Europa do Leste, já no início do século XX. A URSS investe massivamente no jogo de xadrez e resolve adotá-lo como complemento à educação, experiência que foi utilizada com sucesso em muitos países.
Partindo da premissa de que o desenvolvimento do raciocínio é elemento fundamental para o engajamento sociopolítico de cada cidadão, o ensino do jogo de xadrez nas escolas é o complemento ideal à educação, principalmente quando se refere a educação integral e em tempo integral.
Através dessa atividade, o aluno terá mais que uma opção de lazer, terá a possibilidade de valorizar seu raciocínio por meio de uma atividade lúdica. A escola terá mais uma ferramenta pedagógica para atingir os seguintes objetivos: desenvolver o raciocínio lógico; desenvolver habilidades de observação, reflexão, análise e síntese; desenvolver habilidades e hábitos necessários à tomada de decisões; compreender e solucionar problemas pela análise do contexto geral em que estão inseridos; ampliar os interesses pelas atividades individuais; melhorar o desempenho escolar em todas as áreas de estudo e, em particular, em Matemática.
Deve-se ter em mente que o xadrez simula uma situação de guerra em um contexto lúdico. Cada jogador funciona como um general na condução de um exército. Suas decisões são fundamentais para ganhar ou perder uma partida, reproduzindo o que poderia acontecer em uma batalha — muitas vezes a batalha da vida, mas em ambiente protegido e que inclusive funciona como prevenção primária.
É sob esse prisma que o CEX desenvolve seu projeto de ensino do xadrez nas escolas, auxiliando no desenvolvimento das habilidades cognitivas e na democratização deste jogo-arte-ciência, cuja origem e história se perdem no tempo.
“A impossibilidade de conhecer o melhor lance em uma partida de xadrez é que eleva o xadrez de um jogo científico para uma forma de arte, um meio de expressão individual.”